domingo, 21 de fevereiro de 2016

OS NOVOS BÁRBAROS, COMO O IMPÉRIO (DO MAL) LIDA COM ELES?

Nesse sentido, venho folheando um livro interessante que se compagina com o curso do ILB de Relações Internacionais Teoria e História e que fornece algumas informações acerca da nova formatação de mundo, a "Nova Ordem Mundial". 

Trata-se de "O Império e os Novos Bárbaros" de Jean-Christophe Rufin, da Editora Bibliex, 1996. As páginas introdutórias fornecem a base do que tem sido o "Império" do Norte perante o Sul.

"A partir do momento em que o Norte não mais se reconhece como universal - por meio da luta de alcance planetário de seus componentes Leste e Oeste -, a História passa a existir apenas dentro de um limite, aquele que separa o Norte do Sul. Tudo o que está além desse limite perde sentido". (RUFIN, Jean-Christophe. O Império e os Novos Bárbaros. Trad. André Amado, 3° Edição. Rio de Janeiro: Bibliex, 1996, p. 127).

Há uma correlação de ideologia quando se diz que os romanos, em seis séculos de império, buscavam "catequizar" os povos bárbaros trazendo-os para o seu lado, tanto no que se refere à cultura quanto no que diz respeito ao modo de viver. Ocorre que o eixo de dominação decorria do leste para o oeste.

"Em todos os domínios, Império e barbárie formam binômios contrários. Roma se vê garante da paz e da harmonia; os bárbaros guerreiam sem parar. Ela é uma república onde governa o povo; eles obedecem a monarquias violentas. Ela está unida por sua cultura e sua língua; eles estão pulverizados e não se entendem. Ela é racional e sua religião contribui para a ordem da cidade; eles são fustigados pelo fanatismo. Ela pratica a justiça e respeita o direito; eles só são contidos pela força." (RUFIN, Jean-Christophe. O Império e os Novos Bárbaros. Trad. André Amado, 3° Edição. Rio de Janeiro: Bibliex, 1996, p. 24)

Os bárbaros modernos somos nós do sul ("atrasados") que os povos do norte buscam dominar, ideologizando-nos a seu modo.

Ademais, para "(...) o Norte, o Sul aparece, hoje, como uma espécie de lata de lixo gigantesca de ideologias obsoletas, que lá crescem na maior incoerência, como réplicas monstruosas ou caricaturas de seus originais".(p. 85)

Destarte, as ideologias são aqui transformadas, processadas de outras formas, tais como as religiões evangélicas que conhecemos e suas diversas denominações que já naufragaram no continente europeu, aqui tomam força com vida própria, cheias de mistérios surpreendentes, ao passo que se "depaupera na Europa, encontra às vezes um vigor extemporâneo no Sul". (p. 84)

"É preciso opor-se energicamente a essa opinião. Essa visão é falsa, superficial e impede uma compreensão mais profunda das verdadeiras evoluções ideológicas no Sul. Ela tudo reduz à passividade e só vê uma civilização da cópia - cópia sofisticada (...). O Sul não se contenta em imitar, mesmo quando capta as influências vindas da Europa e dos Estados Unidos; ele transforma e cria" (Idem).

Penso, assim, que somos os bárbaros não no sentido da falta de civilidade, ou mesmo no quesito falta de originalidade de pensamento próprio, já que na natureza nada se cria, mas se transforma da mesma maneira acontece com o pensamento e com a ideologia (não seria uma quimera, mas sim um modo diferente, um ponto de vista diverso, aplicável a objetos, pessoas ou situações diversas), aqui o bárbaro é visto como o diverso do padrão. Aquele eleito pelos povos do norte.

"O verdadeiro conflito entre o Norte e os novos bárbaros não é o que se exprime ruidosa e particularmente nesta ou naquela disputa. É a nova imagem de conjunto do Terceiro Mundo que se vai consolidando nos domínios demográfico, econômico, político e cultural. Depois de trinta anos de guerra fria e de enfrentamento Leste/Oeste sob os trópicos, a hora em todos os setores e de adiantamento. O mito do desenvolvimento por primeira vez desponta e deixa entrever uma realidade há muito dissimulada: Sul e Norte não mantém uma relação de avanço ou atraso. Evoluem em sentido contrário. (...) A nova fronteira contemporânea entre o Norte e o Sul marca o advento paulatino de uma moral da desigualdade, de uma espécie de apartheid mundial. Na ideia de fronteira, há de maneira mais ou menos implícita a intenção de definir e proteger a civilização do Norte. Mas ao preço do abandono violento do Sul, identificado com a barbárie. Esse abandono já hoje em dia é perceptível em vários domínios. Demográfico: substituição da ambição de limitar a população mundial por uma esperança mínima, a de conter as massas do Sul e transferir aos flagelos malthusianos a responsabilidade por seu controle. Econômico: substituição do ideal universal de desenvolvimento por uma política seletiva de só assistir aos Estados-tampão, àqueles situados ao longo da fronteira, que devem assegurar sua estabilidade. Político: substituição do apoio universal à democracia por uma complacência nova em relação aos Estados totalitários do Terceiro Mundo (China, Irã) desde que se revelem capazes de contribuir para a estabilidade regional e, sobretudo, de impedir movimentos migratórios maciços. Militar: substituição do envolvimento direto e excessivo das grandes potências nas guerras do Terceiro Mundo por uma diferença de tratamento de acordo com a localização dos conflitos. Os que se localizarem sobre a fronteira suscitam intervenção maciça do Norte. Os outros exibem à opinião indiferente o espetáculo gratuito de massacres nesse sentido. A ideologia da fronteira marca, assim, uma formidável contração de terras históricas."(RUFIN, Jean-Christophe. O Império e os Novos Bárbaros. Trad. André Amado, 3° Edição. Rio de Janeiro: Bibliex, 1996, p. 24-26). 

Destarte, o "império do mal" desenha a sua força, no sentido de barbarizar o sul. Quando não o faz por meio de guerras e assassinatos, pleiteia a mente dos incautos sulistas. O mundo está dominado pelo Norte que escraviza o Sul ao seu modo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O QUE FAZER QUANDO ALGUÉM TE MAGOA? COMO FAZER PARA QUE AS PESSOAS SE SINTAM INSPIRADAS EM VOCÊ?

Perguntas como as do título dessa postagem ferem o imaginário de muitos. O que fazer quando somos colocados em segundo plano, quando somos magoados por quem amamos? Por que sentimos essa "fossa" se a pessoa que faz isso conosco não nos merece?

Na vida, dificilmente encontraremos respostas para sentimentos tão complexos como a mágoa. Ela não merece ser racionalizada, mas vivida. Precisamos disso para nos tornarmos pessoas mais fortes. Para lutarmos contra tais sentimentos precisamos armar-nos de esperança de dias melhores. 

Porém, o "Dia da Vingança" não deve ser querido. Precisamos  nos entender. Conhecer-nos a nós mesmos para que possamos planejar um combate aos sentimentos de mágoa. Largar a pessoa que desejamos ao nosso lado por causa de mágoa entendo ser um erro, porque as pessoas mudam. "Tudo muda numa base que jamais se modifica." (Rui Barbosa). 

De outra ponta, como conseguiremos inspirar as pessoas que estão ao nosso lado? Como podemos fazê-las sentir um desejo de viver se nossas próprias vidas estão arruinadas? 

Penso que a inspiração nasce do empenho. Quando nos empenhamos em alguma coisa, qualquer coisa, a inspiração surge e modifica aquele cenário.

Acredito que o bom combate da vida somente se perfaz com pensamentos consoantes ao que queremos de verdade. Sejamos então desejosos desses pensamentos e busquemos transformar o meio em que vivemos com mais coisas de boa índole e melhores. 

Os fracassos só podem alimentar o desejo de acertar e de modificar e não de nos destruir por completo. Usemos deles para nos fortalecer e ver dias melhores.

Paz!


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

E se fosse possível voltar no tempo?

Stephen Hawking, um dos mais famosos astrofísicos teóricos e gênios da atualidade, idealiza em seus livros a possibilidade das viagens no tempo. Seria possível voltar no tempo e consertar o que erramos?

"É delicado especular abertamente sobre viagem no tempo. Corre-se o risco ou de protestos contra o desperdício de dinheiro público em algo tão ridículo, ou de uma solicitação de que a pesquisa seja classificada para propósitos militares. Afinal de contas, como poderíamos proteger alguém com uma máquina do tempo? Essa pessoa poderia mudar a história e dominar o mundo. Pouco cientistas são tão imprudentes a ponto de trabalhar em um tema tão politicamente incorreto nos círculos da física." (HAWKING, Stephen. O Universo numa Casca de Noz. Trad. Mônica Gagliotti Fortunato Friaça; consultoria Amâncio César Santos Friaça, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 133.)

Essa discussão é possível nos termos da teoria da relatividade geral de Einstein que decifrou, por meio de equações, que o espaço-tempo era curvo e distorcido pela matéria e energia existentes no Universo.

"Na relatividade geral, o tempo pessoal de um observador, medido pelo seu relógio, sempre aumentaria, exatamente como na teoria newtoniana ou no espaço-tempo plano da relatividade restrita. Porém havia agora a possibilidade de que o espaço-tempo pudesse ser tão deformado que você poderia decolar em uma espaçonave e retornar antes de partir." (Idem, p. 135.)

Uma forma de se obter isso são os denominados "buracos de minhoca", espécies de portais que conectariam uma espaçonave em regiões diversas do espaço-tempo, possibilitando romper com os limites de velocidade conhecidos, permitindo viagens galácticas e temporais.

Pode parecer muita viagem, mas e se fosse possível voltar no tempo? Será que as escolhas seriam tão diferentes ou será que seriam piores ainda?

Não é possível saber, porque esse tema pertence ao campo da física teórica e a teoria muitas vezes não se compagina com a realidade. Sonhar é preciso, mas viver a realidade é algo que não podemos nos furtar.

Não posso dizer que não gostaria de voltar no tempo e desfazer todos os erros que cometi, mas talvez simplesmente eu não possa fazer isso, mesmo com uma máquina do tempo, por se incapaz de tal coisa, não por ocasião de paradoxos, mas pelo medo de estar fazendo novamente uma coisa errada, num ciclo vicioso.

Erros são importantes. Cometê-los nos faz pensar que podemos consertar não retroagindo a eles, mas nos tornando pessoas mais fortes, convivendo com nossas escolhas erradas. Errar é humano, uma condição para a existência. Precisamos errar para que tenhamos estímulos na vida. 

Bom seria se não tivéssemos essa preocupação em sempre acertar ou fazer as escolhas adequadas, porque a vida é uma sucessão de fatos, "bons" ou "maus". Cada pessoa tem uma visão diferente do mundo que a cerca! 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015!

Começarei aqui a discorrer sobre a minha visão de mundo acerca do ano que se vai. Penso que cada um tem o seu olhar sobre o que aconteceu neste difícil ano que se apresentou como uma esperança ao anterior, mas que alertou para coisas ainda piores que poderão vir.

A crise econômica sinalizou coisas que jamais conseguiria entender. Concursos públicos praticamente não foram realizados nesse ano. Houve um apagão sem precedentes. Anos ruins para concursos públicos são entendíveis na esteira dos acontecimentos críticos para as finanças de nosso país, mas a Administração Pública não poderia deixar de contratar. Isso é sinal de que eles ou têm uma grande "reserva de mercado" ou a máquina pública está a contratar terceirizados ilicitamente, porquanto o concurso público é o estatuído como legítimo para a ocupação de cargo público, consoante lei 8112/90.

Não obstante, verifiquei na minha visão particular, que as guerras no Oriente Médio se intensificaram por conta de terroristas do Estado Islâmico que se fez sentir em algumas partes do globo terrestre, em especial na Síria. Um absurdo sem precedentes na história. Esses terroristas jamais poderiam ter ganho tanta força se não fosse a falta de ação do "Tio Sam" para sufocar tais barbaridades.

Os EUA são responsáveis como a única superpotência do globo terrestre a sufocar tais "entidades do mal". 

No que toca ao nosso país, o desemprego e a inflação galopante novamente tomam a pauta das notícias e fazem-nos pensar que seria melhor o impeachment de Dilma, mas não. Isso seria bem ruim. Melhor que ela cumpra seu mandato e tente arrumar a "casa", tanto a civil como essa que se chama Brasil.

Será possível que 2016 seja pior que 2015? Sempre as coisas ruins são possíveis, mas as boas também, na mesma medida. O pensamento é uma arma poderosa para quem quer mudar alguma coisa. Pensarei positivo acerca do futuro porque o que me resta é viver melhor e ter o melhor desta terra. Se alguém acha errado ser otimista, azar o dele. Eu escolho o otimismo e seguirei assim, mesmo que tudo acabe mal pra mim. Pelo menos eu tentei.

Que boas coisas aconteçam no ano que se aproxima!

Abraços,

Carlos Ilha   

sábado, 14 de novembro de 2015

A Nova Ordem Mundial, Uma questão de Perspectiva!

Em breve leitura acerca do tema, podemos verificar que nunca houve, em qualquer lugar, uma ordem mundial global. A hoje conhecida, foi "concebida na Europa Ocidental há quase quatro séculos numa conferência de paz realizada na região alemã de Vestfália, sem o envolvimento ou sequer o conhecimento da maioria dos outros continentes ou civilizações" (KISSINGER, Henry. Ordem Mundial. 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015, p. 14).

"A ideia de ordem mundial foi aplicada à extensão geográfica conhecida pelos estadistas da época - um padrão repetido em outras regiões. Isso se dava, sobretudo, porque a tecnologia da época encorajava ou mesmo permitia a operação de um único sistema global. Sem ter como interagir consistentemente e sem contar com um quadro de referência para medir o poder de uma região em relação ao das demais, cada região via a própria ordem como única e definia as demais como 'bárbaras' - governadas de um modo incompreensível e irrelevante para os seus propósitos a não ser enquanto ameaça. Cada uma definia a si própria como um modelo de organização legítima de toda a humanidade, imaginando que, o governar o que tinha à sua frente, estava ordenando o mundo". (Idem, p. 12).

O observado, hodiernamente, é o sistema vestfaliano global, porquanto ocupou-se de "amenizar" o viés anárquico mundial através de normas internacionais e organizacionais adequadas ao "livre-comércio e um sistema financeiro internacional estável, estabelecer princípios para a solução de disputas internacionais e fixar os limites para conduta na guerra, quando estas vierem a ocorrer. Esse sistema de Estados abrange agora todas as culturas e regiões. Suas instituições oferecem uma matriz neutra para as interações entre sociedades diversas - em grande medida independentemente dos seus respectivos valores". (Ibidem, p. 14).

Em vias de resumo, a nova ordem internacional que conhecemos hoje tem seu início marcado pelo "Tratado de Vestfália", assinado após a guerra dos Trinta Anos (1618-1648), entre católicos e protestantes. Nesse diapasão, a busca por uma ordem mundial segue a ideologias, tanto religiosas como as de grupos extremistas terroristas Jihadistas do Oriente Médio, quanto dos Estados Unidos que alternam entre "a defesa pelo sistema vestfaliano e o ataque dos seus pressupostos - a balança de poder e a não interferência nos assuntos domésticos", como um "xerife" dessa nova formatação de mundo, sob o argumento da defesa dos direitos humanos e fundamentais, "valores universais" consoantes a "paz". Imiscuindo-se nos assuntos internacionais como a superpotência que é. (Ibidem, p. 15).

"O sucesso dessa empreitada exige uma abordagem que respeite tanto a diversidade da condição humana, como o arraigado impulso humano de buscar liberdade. Nesse sentido, a ordem precisa ser cultivada, não pode ser imposta. Isso vale particularmente numa era de comunicação instantânea e transformação política revolucionária. Qualquer sistema de ordem mundial, para ser sustentável, precisa ser aceito como justo - não apenas pelos líderes, mas também pelos cidadãos. Precisa refletir duas verdades: ordem sem liberdade, mesmo se baseada em entusiasmo momentâneo, acaba por criar o seu próprio contrapeso. Contudo, a liberdade não pode ser sustentada sem uma estrutura de ordem que mantenha a paz. Ordem e liberdade, às vezes descritas como polos opostos no espectro da experiência, deveriam, ao contrário, ser compreendidas como interdependentes. Os líderes de hoje terão capacidade de se colocar acima da urgência dos acontecimentos do dia a dia para alcançar esse equilíbrio?" (Ibidem, p. 16)

Melhor ainda, poderia a insensatez humana ser domada para que se concretizasse um ideal maior, como a implementação de uma ordem mundial global, haja vista a falta de razoabilidade de seus governantes na condução das políticas, nesse sentido?    

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O Comunismo: Um "ismo" contaminado de mentiras!!!

Consoante ensinamentos de Richard Pipes, "a ideia de uma sociedade sem classes, totalmente igualitária, surgiu pela primeira vez na Grécia clássica." (PIPES, Richard. O Comunismo. 1° Ed. Trad. de Ana Luiza Dantas Borges, Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, Objetiva, 2014, p.13).

Este autor destaca a ideia mítica de Hesíodo acerca de uma "Idade de Ouro", em seu poema "Os trabalhos e os dias", em que a igualdade se fazia presente, "havia uma abundância de bens para todos e a humanidade vivia em uma paz perpétua."(Idem, p. 13).

"Existe uma noção muito difundida, mas falsa, de que o socialismo e o comunismo são meramente versões seculares e atualizadas do cristianismo. Como o filósofo russo do século XIX Vladimir Soloviev apontou, a diferença é que enquanto Jesus instigava seus seguidores a abrir mão de seus bens, os socialistas e comunistas querem dar os bens dos outros. Além disso, Jesus jamais insistiu na penúria: ele simplesmente aconselhou-a como uma maneira de facilitar o caminho para a salvação." (Ibidem, p. 14).

Essa utopia de mundo, em que a propriedade privada deve ser extirpada para que haja a igualdade "material real" e não somente formal, consoante assegura a Constituição, mascara na verdade o poder de um Estado soberano que deteria toda as propriedades (riquezas) em suas mãos, consequentemente tolhendo liberdades e direitos dos indivíduos, posto que a "ausência da riqueza privada e a coerção dos indivíduos pela comunidade em geral" denotam um totalitarismo e uma "subserviência do indivíduo à autoridade, o que o impele a fazer o que não faria por sua livre vontade". (Ibidem, p. 15).

Nunca, em qualquer momento da história houve a implantação de uma sociedade absolutamente igualitária, posto que a própria constituição humana determina a posse e a propriedade. Os bens sempre foram disputados e isso remonta a tempos imemoriais, haja vista que a busca pela sobrevivência demandou esse modus vivendi

Nesse diapasão, a tentativa de implantação do comunismo seguiu a mentiras encetadas por Marx e Engels, em seu "socialismo científico", "(...) uma teoria que pretendia demonstrar por que o reino da igualdade não era só desejável e exequível como também inevitável." (Ibidem, p. 18).

"Apesar de seu compromisso com o método científico, o marxismo violou sua característica básica, isto é, a liberalidade e disposição para ajustar a teoria à nova evidência. (Bertrand Russell chamou o bolchevismo, uma cria do marxismo, de uma 'religião', e falou de seu 'hábito de certeza militante em relação a questões duvidosas objetivamente'.) Era uma doutrina rígida, que repudiava visões diferentes. Marx não fazia segredo de sua atitude em relação àqueles que discordavam dele. A crítica, escreveu ele certa vez, 'não é escalpelo, mas uma arma. Seu objetivo é o inimigo, [a quem] não se quer refutar e sim destruir.' O marxismo, portanto, era um dogma disfarçado de ciência." (Ibidem, p. 19).

Os meios de produção capitalistas, aliados à conjuntura socieconômica vigente ao longo da história de espoliação da mão de obra, a questão da "mais-valia" e as dificuldades de sobrevivência tornam muito mais atrativas as ideias socialistas de "luta de classes", porquanto

"a humanidade deve antes de mais nada, comer, beber, ter um abrigo e roupa, antes de perseguir a política, ciência, arte, religião etc.; portanto, a produção dos meios de subsistência materiais imediatos (...) formam o fundamento sobre o qual as instituições estatais, as concepções legais, a arte e, até mesmo, as ideias sobre a religião das pessoas envolvidas se desenvolveram, e à luz do qual devem, por consequência, ser explicadas, ao invés de vice versa, como foi o caso até agora. (Ibidem, p. 20).

As bases do socialismo que desembocam no comunismo, através da revolução, seguem ao fundamento de que "o controle dos meios de produção leva à emergência de 'classes' sociais". De início, não existia a "propriedade privada nesses meios: toda terra era posse comum. Mas, com o tempo, a ordem 'comunal primitiva' foi substituída pela diferenciação de classes quando um grupo conseguiu monopolizar os recursos vitais e usou seu poder econômico para explorar e dominar o resto da população, erigindo instituições políticas e legais que protegiam os interesses de classe. Também empregou a cultura - religião, ética, artes e literatura - com o mesmo fim. Tais mecanismos capacitaram a classe governante para explorar o resto da população." (Ibidem, p. 20-21).

A superação do capitalismo pelo socialismo está em compasso com a "luta de classes" desnudada pela revolução que há de acontecer, pois que inauguraria uma "sociedade sem classes". 

A "mais-valia" ou "valor excedente", corresponde ao que Marx afirma ser embolsado pelo dono dos meios de produção, enquanto que o trabalhador recebe apenas o necessário para a subsistência.

"Na evolução do modo de produção capitalista, tanto a taxa de lucro obtida pelo capitalista quanto os salários do trabalhador se reduzem estavelmente. Isso acontece porque, ao enfrentar uma competição feroz, o capitalista tem de gastar mais capital em equipamento, matéria-prima e outros, e diminuir cada vez mais os salários, que são a fonte de seus lucros. A mão de obra torna-se mais barata e os salários declinam, resultando em uma queda constante do padrão de vida. Ao mesmo tempo, durante as crises que ocorrem periodicamente por causa da produção excessiva, grandes empresas engolem as menores e a riqueza industrial fica cada vez em menos mãos. Desse modo, o capitalista e o trabalhador se veem no mesmo barco, por assim dizer: o primeiro aflito com a crise e expropriação dos mais ricos que ele, o segundo, vítima da 'pauperização' progressiva. Com o tempo, a situação, inexoravelmente, leva à 'revolução'". (Ibidem, p. 21-22).

As ideias socialistas seguem a um ritmo fracassado de coerência posto que a "ditadura do proletariado" inauguraria, posteriormente, uma forma de totalitarismo que ceifou milhões de vidas na Rússia Comunista, a partir da revolução bolchevique de 1917.  Enquanto que o capitalismo continuou como sistema econômico vigente, mesmo com falhas e crises periódicas, contudo o avanço das legislações, o arcabouço jurídico de proteção aos trabalhadores como a CLT, a lei antitruste (contra a cartelização e ou monopólio), mesmo as leis tributárias, impediram que sufragasse o sistema supostamente vitimado pela "pauperização" do trabalhador, o que não acontece de fato. Houve sim uma melhora para boa parte da massa de trabalhadores. Ao contrário do que se pensa, os avanços na área de tecnologia, novos nichos de produção e de comercialização, possibilitaram a manutenção do sistema como ele é. Mesmo eivado de falhas e dificuldades para muitos ainda, mas a vida, lamentavelmente, sempre foi assim

A corrupção que mancha a política de hoje denota que há muito a ser feito para punir os infratores das leis, criminosos do "colarinho branco", mas não coloca em xeque o sistema econômico vigente, o mais coerente com a situação hodierna.

"As falhas na doutrina marxista não teriam tido muita importância se ela tivesse sido estritamente um constructo teórico. Mas, como também foi um programa de ação, quando suas previsões revelaram-se falsas - isso ficou evidente logo após a morte de Marx em 1883 -, primeiro os socialistas e, depois os comunistas, embora alegassem ortodoxia, começaram a revisar a teoria de Marx. Nas democracias ocidentais, essas revisões geralmente abrandaram o zelo revolucionário de Marx e aproximaram o socialismo do liberalismo. O resultado foi a social-democracia. No leste europeu e nos países de Terceiro Mundo, em contraste, as revisões tenderam a aguçar os elementos de violência. O resultado foi o comunismo. O marxismo em sua forma pura, não adulterada, não foi adotado em lugar algum como plataforma política porque vai de encontro à realidade." (Ibidem, p. 25).

Já o socialismo fabiano prega a chegada ao poder não através de uma revolução, mas da conquista gradual do mesmo nas urnas, democraticamente. O fortalecimento da classe proletária desembocaria no comunismo gradativamente, através de um processo político e social pacífico dentro do capitalismo, o socialismo convivendo com o capitalismo e emergindo dele. É o que estão tentando implantar no Brasil.

De toda a sorte o socialismo, fase embrionária ao comunismo, não resta por ser uma boa ideia, mas, antes, uma fantasia.

"O marxismo, fundamento teórico do comunismo, carregava em si as sementes de sua própria destruição, assim como Marx e Engels atribuíram, incorretamente, ao capitalismo. Baseava-se em uma filosofia da história imperfeita, assim como em uma doutrina psicológica nada realista." (Ibidem, p. 126).

A ideia marxista que prega o fim da propriedade privada objetivando alcançar a igualdade é absolutamente falsa, na medida em que "(...) para a igualdade vigorar, seu principal objetivo, é necessário criar um aparelho coercivo que demanda privilégios e, consequentemente, nega a igualdade; (...) fidelidade a uma classe, em todo lugar e em qualquer época, vencem de forma esmagadora, dissolvendo o comunismo em nacionalismo, daí o socialismo se combinar tão facilmente com o 'fascismo'." (Ibidem, p. 131).

Por ocasião de interesses pessoais como nacionais, a igualdade no regime comunista restou fracassada e milhões de vidas inocentes foram ceifadas, um alto preço pago pela incompetência e desmesurada insensatez dos governantes.

"Os custos dos experimentos em utopia foram assombrosos. Acarretaram um grande número de vítimas. Stéphane Courtois, editor de The Black Book of Communism (O Livro Negro do Comunismo), estima o número de vítimas do comunismo entre 85 e 100 milhões, total 50 por cento maior do que as mortes causadas pelas duas guerras mundiais. Várias justificativas foram apresentadas para essas perdas, tais como não se pode fazer omelete sem quebrar ovos. Afora o fato de que seres humanos não são ovos, o problema é que nenhum omelete saiu da matança." (Ibidem, p. 135).

Em sede de conclusão, a acusação de Marx de que o capitalismo "sofria de contradições internas insolúveis, que o condenavam à destruição", não merece crédito haja vista que o mundo já passou por várias crises econômicas ao logo dos séculos e sobreviveu. Contudo, o comunismo "uma pseudociência convertida em pseudo-religião e incorporada ao regime político inflexível" não foi capaz de se manter firme com a força que se esperava. Houve sim um fracasso regado a sangue de pessoas inocentes. A história mostra que reincidir nesse erro, nessa mentira, apodrecida, eivada, chamada comunismo, seria uma grosseira estupidez.  





   


sábado, 17 de outubro de 2015

O País das Humilhações Sociais!

O Brasil é um país em que reina a capacidade da humilhação em detrimento da educação e da capacidade de discernimento do que significa ser superior. Nesse passo, a incorporação de meios irrelevantes como comparações levianas faz com que muitos dos que se julgam acima dos outros tornem-se em pessoas amargas e amarguradas.

Na esteira dos acontecimentos que vivenciamos, não por acaso, os mais de 300 (trezentos) anos de escravidão experimentados pelo nosso país, as desigualdades, pior que isso, a humilhação enfrentada por muitos que são subjugados, por sua condição socioeconômica, pelas classes média e alta (A e B), denotam o quão mesquinho e egoísta é o homem, em sua saga pela insensatez.

A humilhação é a marca da fraqueza. Todo aquele que humilha não é digno do pódio, da boa ou saudável convivência, posto que aquele que assim procede tem maldade, é doente. Está referto de maldições e pensamento rasos. Humilha para se sentir superior, porquanto não o é de fato.

Sabemos que o nosso país segue nesse passo desinteressado com o que é nomeadamente de bom alvitre para a alma. As pessoas passaram a se coisificar demais. Assim, a pobreza e a putrefação do espírito tornam-se evidentes.

Não raro presenciamos situações de injustiças sociais e um tremendo caos, no que deveria ser a ordem vigente. O que age de boa-fé fica a se questionar: 

- este fez uma  coisa errada aos olhos da moral e da ética, por que conseguiu ter sucesso?

A Bíblia ensina que não devemos ter inveja desses que procedem mal, porquanto eles já receberam a sua recompensa. A nossa, não pertence ao plano dos fatos, mas das ideias. Aos que passam humilhações em detrimento de sua condição econômico-social, solidarizo-me com esse "tapa na cara" da nobreza da corte atual de nosso Brasil de desiguais, notadamente as classes mais abastadas (A e B) da configuração hodierna de nossa sociedade (políticos, servidores públicos, etc. Os "amigos do rei"!) 

Aos fracos, o desabafo, "poderosos fracos" pois se debruçam em meio a humilhações decorrentes de situações contigenciais, como a situação financeira para poderem se autoafirmar na esteira do que se acredita como coerente e condizente com a realidade.

Enquanto viverem encastelados em "Torres de Marfim", não poderão enxergar o próximo como gente, mas sim como coisa a ser subjugada e humilhada. 

Um jogo doentio e perverso que apenas evidencia a fraqueza dos poderosos!