sábado, 19 de agosto de 2017

O Vazio Existencial. Armas para Combatê-lo!

A existência é o grande palco em que se desenrola um grande drama. Somos sufocados praticamente todos os dias com as ideias de que a existência não passa de um nada e para o nada tornará. Somos nada!

O Universo, com sua infinita imensidão, administra toda essa falta. Contudo, os seres humanos estão sempre a buscar coisas, conseguir sua subsistência, administrar seu tempo, preocupam-se o tempo inteiro, mas nada disso ameniza o fato de que o nada nos pertence ou melhor, pertencemos ao nada. Insignificantes num Universo de possibilidades.

Podemos pensar e traduzir pensamentos em palavras orais ou escritas, mas de nada adianta. Nada somos. Por que então vivemos na vaidade, no orgulho, na soberba, na insensatez?

Não entendemos quais os motivos de tantos sentimentos avessos à humanidade. Nem os psicólogos compreendem as razões da humilhação, do "bullying", podemos contudo imaginar o "vazio existencial" experimentado pelos tais que se julgam acima dos demais, pelo simples fato de possuírem mais dinheiro que seus pares ou qualquer outra coisa, como um cargo público no funcionalismo público dos marajás!

O vazio existencial caracteriza-se pela soberba. Aquele que está preenchido pela alegria e pela felicidade (o que quer que seja esta) não precisa demonstrar com palavras e atitudes malignas de soberba que está bem consigo mesmo.

Somente pessoas vazias, ocas de fato, necessitam castigar seus pares para satisfazer seu ego doentio de destruição.

A única arma, contra o "vazio existencial", à disposição desses tais é a reflexão filosófica: lembrar-se de lembrar, não somos nada e ao nada voltaremos!   

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Revolução Gramsciana e os Impactos da Nova Era no Pensamento Ocidental!

Estou a ler interessante livro de um grande filósofo, Olavo de Carvalho: "CARVALHO, Olavo de. A Nova Era e a revolução Cultural: Fritjof Capra & Antônio Gramsci. 4ª edição, revista e muito ampliada. São Paulo: Vide Editorial, 2014".

Olavo de Carvalho discorre acerca do projeto orquestrado pela esquerda comunista, que abeberou-se das fontes de Antônio Gramsci, com o fim de introduzir uma revolução cultural. 

A teoria é que o comunismo implantado no nosso país seguiu de modo imperceptível e aos poucos foi ganhando a simpatia popular. Sequer podendo ser questionado por ocasião de ser mais palatável ao povo, foi inculcado pela midia que conhecemos.

"Gramsci concebeu uma dessas ideias engenhosas, que só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas: amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista. Assim, quando viesse o comunismo, as resistências possíveis já estariam neutralizadas de antemão e todo mundo aceitaria o novo regime com a maior naturalidade". (CARVALHO, Olavo de. A Nova Era e a revolução Cultural: Fritjof Capra & Antônio Gramsci. 4ª edição, revista e muito ampliada. São Paulo: Vide Editorial, 2014, p. 57).

Destarte, o projeto comunista de poder se assentaria em uma hegemonia cultural absoluta, porquanto incontestável para os que sofreram a lavagem cerebral engendrada pela sua ideologia, bem similar às propagandas nazistas desenvolvidas por Joseph Goebels em desfavor dos judeus e da supremacia ariana. "Uma mentira contada diversas vezes torna-se verdade"!?

"A hegemonia é o domínio psicológico sobre a multidão. A revolução leninista tomava o poder para estabelecer a hegemonia. O gramscismo conquista a hegemonia para ser levado ao poder suavemente, imperceptivelmente" (Idem, p. 57).

Nada obstante ao Gramscismo ser um "gigante" projeto de poder encetado no cárcere por seu ideólogo, há semelhanças com as ideias de Fritjof Capra em seu livro "O Ponto de Mutação", porquanto ambas "são puras ficções":

são historicistas, ou seja a verdade pertence apenas ao momento histórico em que se situa. Importa apenas se é útil à ideologia, não se analisando a veracidade objetiva do que é posto, mesmo que não seja válido; 

o sujeito ativo em ambas as correntes de pensamento não é a consciência individual, mas coletiva. Para o gramscismo, os interesses do "Partido" é que possuem validade apenas, enquanto que os capristas defendem a "humanidade" (faz lembrar o discurso dos "direitos humanos" tomados para defender bandidos. A seguir será exposta a relação entre o Comando Vermelho e as ideologias comunistas);

"(...) ambas insistem menos em provar alguma tese do que em induzir uma 'mudança de percepção', uma virada repentina que faça as pessoas sentirem as coisas de modo diferente (...) não é a argumentação racional, mas uma adesão prévia, volitiva ou sentimental: o sujeito 'sente-se' de repente, como um todo, identificado com a Nova Era ou com a causa do proletariado, e em seguida passa a ver os detalhes de acordo com o novo quadro de referência."

São revoluções culturais na medida em que pretendem inserir uma nova mentalidade, desmentindo todas as demais formas de pensamento anteriores, na visão de "um novo tempo", uma "Nova Era", inaugurada na base de falácias. (Idem, p. 89-90)

"A dimensão 'tempo' é assim absolutizada, reinando sozinha num mundo de onde foi extirpado todo senso de permanência e de eternidade. Em Gramsci, a amputação é explícita; em Capra e na Nova Era em geral, implícita e disfarçada pela verborréia mística(...). O Cosmos de 'Capra' e a 'História' de Gramsci são campânulas de chumbo que prendem a imaginação humana num mundo pequeno, artificialmente engrandecido pela retórica."(Idem, p. 89-90)

O falso e o verdadeiro já não fazem muito sentido para ambas as correntes, tais conceitos foram substituídos pelo de "adequação ao nosso tempo", da "supra-consciência" holística de Capra ou do "intelectual coletivo" de Gramsci. esse intelectual, "orgânico", pois útil à ideologia do "Partido", um "idiota útil", melhor colocando. (Idem, p. 91)

Em ambas, procura-se dissolver a "autoconsciência reflexiva e crítica" e deprecia-se a consciência individual, negando-se a evidência intuitiva como base para julgar o que é verdade. Acusa-se que a intuição não é válida para se decodificar a veracidade de qualquer  coisa. Contudo, troca-se isso pelo misticismo intuitivo holístico ou pelo sentimento coletivo do Partido. (|Idem, p. 91-92)

A premissa ideológica por trás desses autores, Antônio Gramsci e Fritjof Capra, assenta-se um argumentações falaciosas e facilmente observáveis em seu interesse de modificar o pensamento secular, porquanto há uma distorção enorme nos tempos atuais acerca do que se tornou a nossa cultura e de como ela deveria ser.

Nada obstante observar o liame entre o crime organizado e a cultura apregoada pelos ideólogos comunistas guerrilheiros da revolução. O Comando Vermelho, como noticiado, no livro "Comando Vermelho. A História Secreta do Crime Organizado" de Carlos Amorim, "(...) nasceu da convivência entre criminosos comuns e ativistas políticos dentro do presídio da Ilha Grande, entre 1969 e 1978" (Idem, p. 98)

Nesse ambiente, "(...) os militantes de esquerda ensinaram aos bandidos as técnicas de guerrilha que eles viriam a usar em suas operações criminosas e os princípios de organização político-militar sobre os quais viria a estruturar-se o Comando Vermelho, bem como a fraseologia revolucionária com que o bando hoje glamuriza suas façanhas". (Idem, p. 98)

Destarte, o mundo ocidental vem sofrendo uma "lavagem cerebral" severa por essas formas de pensar. Uma "Nova Era" de um mundo novo, como o preconizado por George Orwell (1984). Uma vigilância incontida, com falácias ambientalistas (o aquecimento global é uma farsa?) e colocações disfarçadas de um "ideal coletivo", mas que apenas enriquecem os bolsos dos comunistas e falastrões dessa "nova era", como o Gramscismo  que contribuiu e muito na autenticidade desse projeto de poder subterrâneo e bem engendrado.  

sábado, 24 de junho de 2017

Ensino é diferente de Educação?

Assistindo a canais do Youtube, o entretenimento mais em moda que observamos nos últimos cinco anos, uma tendência atual posto que tais "youtubers" são profissionais, ("profissão" ou precarização?) para alguns, observamos que os conceitos de educação e de ensino são diversos.

Para José Monir Nasser, educação segue as 7 artes liberais (o  Trivium e o Quadrivium).

Nada do que se ensina nas escolas é educação. Porque o ensino escolar apenas quer conferir uma qualificação de "status social", ele é obrigatório nos termos da Constituição. Já a educação não, ela é livre. Busca educação quem quer!

Nesse compasso, Monir apresenta seu entendimento acerca da educação clássica. O Trivium (Lógica, Gramática e Retórica) e o Quadrivium (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música) estas são as bases sobre as quais a educação se funda, porquanto o ensino aplicado hoje no Brasil não tem mais remédio. Não tem mais salvação. Está fadado ao fracasso.

Nesse sentido, Monir discursa sobre a falência do sistema educacional brasileiro apresentando sua experiência como professor, afirmando que o "ritual" de ensino aplicado no Brasil é aquele ditado pelo Governo Federal, logicamente se referia à LDB (Lei de Diretrizes e bases da Educação).

Entretanto, sou da opinião que educação e ensino desenvolvem-se em termos semelhantes e complementares. O ensino é deficitário porque não há incentivos dos meios de comunicação. A mídia, notadamente a televisiva, é a maior culpada por introduzir costumes e práticas avessos ao que é nomeadamente exclusivo da educação. O ensino é um dos passos para a boa educação. Não considero o conceito de educação totalmente apartado do ensino, muito ao contrário, são complementares. 

Acerca da indagação: "escola, pra que escola?"

O autodidatismo pode ser uma das ferramentas disponíveis à questão, haja vista que a escola não é o local de aprendizado, como afirma Monir, mas sim de "faz de conta"?! Entendo que ele está a se referir ao "pacto da mediocridade". Contudo, sabemos que tal "pacto" somente é firmado por pessoas ignorantes e desinformadas. Esse cenário está mudando. O mundo vem evoluindo, bem como suas tecnologias e as pessoas estão se questionando mais e aceitando menos as "migalhas" do ensino mal elaborado e "feito nas coxas"!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O terrorismo em Machester!

O ISIS (Estado Islâmico), um grupo terrorista que está desgraçando a vida de muitos civis, mais uma vez ataca pessoas absolutamente inocentes. O pior, assassinam a crianças!!!

Em Manchester, foram assassinadas 22 pessoas, em um show de uma cantora estadunidense. O grupo islâmico reivindicou a autoria.

Esses bandidos do ISIS precisam ser detidos. Crianças assassinadas a troco de nada. Como podemos perceber, os assassinos seguidores de Alá estão a ficar completamente loucos. Matam crianças sem ao menos saber o que estão a fazer.

Os infiéis não são as crianças, mas os adultos. Sendo assim, não faz sentido na ideologia deles atacar a crianças. Nada importa o sentimento de vingança contra civis. Não é isso que a religião deles ensina.

A população mundial já está começando a se revoltar contra o Islamismo e não vai demorar muito tempo para que essa religião desapareça, por conta desses terroristas sem nenhum comprometimento com a fé ideológica islâmica, mas apenas com o seu desejo malévolo de vingança que é bestial.

Brasil: um país de Tolos?

Muito fácil apontar o dedo e condenar uma pessoa utilizando-se dos seus defeitos para poder denegri-la, acabar com sua reputação, com sua moral e com seu bom nome. O que não se percebem são suas lutas e desafios diante de uma realidade cada vez mais estranha ao que é conhecido das grandes massas.

Nesse sentido, muitos são os que criticam o Brasil como sendo um país cheio de pessoas alienadas, conformadas, mas felizes. Isso é uma enorme falácia. Ninguém é feliz no Brasil. Não existe esse papo de que aqui não sabemos escolher nossos governantes ou representantes. O fato mascarado por trás dessas falácias é que, em nosso país, não temos muitas pessoas interessadas no bem comum. Cada qual quer salvar a sua própria pele. Garantir a sua sobrevivência ou a sobrevivência do seu luxo. Há uma enormidade de pessoas interessadas em manter o seu poder, mas não em favorecer os interesses da nação.

Contudo, olhar esses defeitos apenas faz-nos crer que devemos buscar uma modificação na mentalidade do brasileiro de modo geral. A justiça e o ministério público estão aí para darem um exemplo de como as coisas deveriam ser. Não obstante tenhamos uma corja de bandidos e saqueadores no poder, podemos modificar essa realidade escolhendo políticos menos corruptos. Uma saída de gênio é investigar a vida de cada candidato. Ocorre que o "povão" não tem acesso a essas informações.

Aí entram os itinerantes que deviam existir para informar, a cada cidadão, sobre os podres de cada candidato. Mesmo que digam as más línguas que isso é detração, mas sabemos que esta é essencial no jogo democrático. Eu mesmo quase votei em corrupto, mas fui informado da índole do mau-caráter e não votei nele. Resultado, o canalha não se elegeu.

Se essa tarefa de detração fosse ampliada, dificilmente teríamos tantas pessoas engajadas consigo mesmas. Faríamos escolhas mais acertadas, votando em pessoas mais interessadas no bem comum.

O Brasil não é um país de tolos. Verdadeiramente, somos uma nação em aprendizado e estamos começando a entender como funciona a corrupção. O remédio já está sendo ministrado, espero que haja cura!

sábado, 13 de maio de 2017

Homo Capensis: Trapaceiros da Humanidade!

Muitos vídeos circulam no youtube acerca de fatos místicos ou inexplicáveis, extraterrestres e outras fábulas que, incansável e persistentemente, enchem os tais de comentários e especulações.

Uma senhora veio com essa história absurda sobre  Homo Capensis que não seriam da espécie Homo Sapiens, logicamente, mas que ainda estão entre nós. O crânio dos tais Capensis é em formato de "cone" e, acredite ou não, eles estão no vaticano!!!

Por isso que usam aquele "chapéu" no formato Homo Capensis de ser. São os senhores do mundo. Trapaceiros da humanidade, porquanto alimentam a miséria e a destruição que vemos todos os dias!!!

A senhora veio com essa teoria de conspiração afirmando que essa nova espécie de "homem" veio para destruir a nossa espécie. Uma ideia louca que apenas vemos em filmes e seriados norte-americanos.

Ademais, se há ideias loucas, certamente elas vieram daquele país cheio de misticismo e de imbecilidades. Eles ignoram que as pessoas pensam e não querem ser enganadas por charlatães que apregoam ideias idiotas para venderem livros ou para ganharem dinheiro falando asneiras.

Não obstante, podemos sim perceber a mão do "Big Brother" cada vez mais próxima de nós, porquanto não se trata de conspiração, mas de realidade. Os tempos modernos se tornaram tempos de vigilância, o que confere certo poder aos espiões sobre a vida de suas vítimas, o cidadão comum.

Acredito que a existência é bem mais saudável e menos paranoica se deixarmos de dar ouvidos a certas teorias de conspiração, mesmo que vejamos que há vigilância e espionagem pelos "donos do poder". Cediço que isso se dá para que esses tais se mantenham no mesmo e não para destruir quem quer que seja como apregoam por aí.


sábado, 22 de abril de 2017

O Jeitinho Brasileiro - Sobranceria explicada pela comparação e pelo contraste!

"Antropólogo explica o jeitinho brasileiro


Um dos convidados para a Expogestão 2014, DaMatta foi muito aplaudido pela plateia

A sociedade e as pessoas são e agem a partir de ideias e conceitos específicos de comportamento dominantes regionalmente. No nosso ambiente, “ser alguém” significa poder ser blindado em situações adversas. 

E o “jeitinho” é uma forma de as pessoas se afirmarem publicamente, à revelia das regras, para se inserirem num contexto que é excludente para a maioria. É o que pensa o antropólogo Roberto DaMatta, que esteve na Expogestão na última semana, em Joinville.

DaMatta entrou cantando no palco do auditório principal do complexo Expoville no dia 22 de maio para fazer sua palestra. Ao final, o público, na maioria composto por executivos de diferentes posições hierárquicas de empresas de vários setores e regiões, aplaudiu entusiasticamente. Ele explicou:

— O comportamento tem a ver com entrega, com correr riscos. Ainda que sejam calculados, como fiz agora.


QUEM SOMOS
— Nossa identidade é o que nos diferencia dos outros. Sabemos quem nós somos, por comparação e contraste. Somos o que os outros jamais podem ser. O povo brasileiro não é único. Diferencia-se regional e globalmente. Há uma expressão interessante para ajudar a compreender como nós mesmos nos percebemos. A expressão é “Deus é brasileiro”. Isso é mais do que “o povo escolhido”, como se consideram os judeus.


ESCOLHAS
— Temos papéis atribuídos, aqueles que nos são fortemente impostos. Depois, se fazem escolhas, como as das profissões, por exemplo. Mas atenção: as escolhas estão restritas ao palco onde você se encontra.

INSEGURANÇA
— Sair de casa é um risco. A rua é insegura. Quem é o outro que senta ao teu lado no salão do aeroporto, no metrô, na fila do cinema, no estádio de futebol? Todos usam roupas semelhantes, sapatos e tênis semelhantes. 



SER ALGUÉM
— O mundo é dos que “são alguém”. “Ser alguém” é ter capital relacional, especialmente nestes tempos da indústria das celebridades. Ser famoso mobiliza pessoas, e a pessoa passa a ser protegida. E “ser ninguém” é ser individualizado, é ser (e estar) só. Daí, no nosso País, o tal do “jeitinho” é um rito autoritário de distinção, praticado por gente de todas as classes e categorias.
ORIGEM
— Na nossa sociedade, uma forma importante de se relacionar é saber da origem e do nome da família do interlocutor. Quem é teu pai é pergunta-chave. Nossa legislação é feita para impedir a punição de pessoas importantes. Saber quem é quem é absolutamente essencial.

TRÂNSITO
— No trânsito, todos são iguais porque o trânsito é fila, e não dá para dizer o tradicional “sabe com quem está falando?”. Isso irrita a elite. No caso, a igualdade das regras aumenta a tensão. Temos mais conforto quando sabemos quem são os outros. O mundo não existe por e para nós. Por isso, a blindagem da aristocracia é antidemocrática. 


FONTES
— Temos duas fontes para a nossa identidade. A Revolução Francesa, a mostrar as possibilidades de mobilidade social; e a nossa origem portuguesa, com a vinda de comerciantes, a explorar terra e gente, a partir de um enorme controle político-administrativo-burocrático. Alguns fatores nos limitam. A língua nos antecede e continua depois de nós. Os outros elementos que nos constituem como povo e nação são a moeda, o território e os modelos econômico e político.


PAPÉIS
— Cada um de nós representa papéis e responsabilidades. Temos de honrá-los. Ocupar espaços para os quais não estamos preparados é burla, é farsa. Shakespeare escreveu num dos seus textos que temos hora de entrada e hora de saída. Os papéis sociais no Ocidente são dferentes dos que valem na tribo xingu.


HÁBITOS
— Os hábitos mais difíceis de serem alterados são aqueles que estão inscritos no coração. Observe que a religiosidade se opõe à guerra. As religiões dizem não matar, e as sociedades estão em constante atrito. A contradição é evidente. 


MANIFESTAÇÕES
— As manifestações são consequência da redescoberta da rua como espaço público, que pode clamar por coisas que se acha justo reivindicar. Um problema a mais é que o Estado, o agente público, não tem a menor preocupação com a igualdade. Temos um país com parte no passado negro e uma aristocracia com noção de idealização do poder e do Estado. O Brasil, como sociedade, é o das conversas ao pé do ouvido, secretas, a dois.


OPOSIÇÃO
— A identidade se passa por oposição. Assim, o sulista é diferente do nordestino; o brasileiro é diferente do argentino; o sul-americano é diferente do norte-americano, que é diferente do europeu. E que é ainda mais distinto em relação ao asiático. Aí, quando você opõe ocidentais com orientais, descobre que é analfabeto. Língua, costumes, valores... tudo muda. 



INFERIORIDADE
— Situações de anonimato nos dão a sensação de inferioridade. E podem gerar surtos psicóticos, como vimos, recentemente, de elevada agressividade. Isso acontece para as pessoas se afirmarem. O comportamento no espaço público é o do anonimato".


Sabemos quem somos, em sociedade pela comparação e pelo contraste. Mesmo que digamos que os seres humanos são únicos, perde-se essa qualidade quando se insere em sociedade. Trata-se de um suicídio da individualidade em prol de algo maior, o todo, a sociedade. A parte, o indivíduo, só passa a sê-lo se reconhecido, se "protegido", aceito, se é "celebridade"?

O anonimato significa a morte social? 

Difícil deglutir tais argumentos, porquanto não vivemos em um mundo de "celebridades". Celebrar o que? A miséria? a Crise?

Parece-me um bocado pretensioso concordar com essa sobranceria do nacional que se inculca, pelo "jeitinho brasileiro" de ser, um poder aquém do que realmente é. O anonimato é mais seguro e consoante com a paz social do que o jeitinho de sempre querer se dar bem.

Celebridade ou não todos temos nossa importância individual que deve ser intocada por argumentos falaciosos. O ser é, independentemente de sê-lo em sociedade. A sua individualidade é a sua marca e a sua importância rememora o seu surgimento como pessoa no mundo.