quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O Comunismo: Um "ismo" contaminado de mentiras!!!

Consoante ensinamentos de Richard Pipes, "a ideia de uma sociedade sem classes, totalmente igualitária, surgiu pela primeira vez na Grécia clássica." (PIPES, Richard. O Comunismo. 1° Ed. Trad. de Ana Luiza Dantas Borges, Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, Objetiva, 2014, p.13).

Este autor destaca a ideia mítica de Hesíodo acerca de uma "Idade de Ouro", em seu poema "Os trabalhos e os dias", em que a igualdade se fazia presente, "havia uma abundância de bens para todos e a humanidade vivia em uma paz perpétua."(Idem, p. 13).

"Existe uma noção muito difundida, mas falsa, de que o socialismo e o comunismo são meramente versões seculares e atualizadas do cristianismo. Como o filósofo russo do século XIX Vladimir Soloviev apontou, a diferença é que enquanto Jesus instigava seus seguidores a abrir mão de seus bens, os socialistas e comunistas querem dar os bens dos outros. Além disso, Jesus jamais insistiu na penúria: ele simplesmente aconselhou-a como uma maneira de facilitar o caminho para a salvação." (Ibidem, p. 14).

Essa utopia de mundo, em que a propriedade privada deve ser extirpada para que haja a igualdade "material real" e não somente formal, consoante assegura a Constituição, mascara na verdade o poder de um Estado soberano que deteria toda as propriedades (riquezas) em suas mãos, consequentemente tolhendo liberdades e direitos dos indivíduos, posto que a "ausência da riqueza privada e a coerção dos indivíduos pela comunidade em geral" denotam um totalitarismo e uma "subserviência do indivíduo à autoridade, o que o impele a fazer o que não faria por sua livre vontade". (Ibidem, p. 15).

Nunca, em qualquer momento da história houve a implantação de uma sociedade absolutamente igualitária, posto que a própria constituição humana determina a posse e a propriedade. Os bens sempre foram disputados e isso remonta a tempos imemoriais, haja vista que a busca pela sobrevivência demandou esse modus vivendi

Nesse diapasão, a tentativa de implantação do comunismo seguiu a mentiras encetadas por Marx e Engels, em seu "socialismo científico", "(...) uma teoria que pretendia demonstrar por que o reino da igualdade não era só desejável e exequível como também inevitável." (Ibidem, p. 18).

"Apesar de seu compromisso com o método científico, o marxismo violou sua característica básica, isto é, a liberalidade e disposição para ajustar a teoria à nova evidência. (Bertrand Russell chamou o bolchevismo, uma cria do marxismo, de uma 'religião', e falou de seu 'hábito de certeza militante em relação a questões duvidosas objetivamente'.) Era uma doutrina rígida, que repudiava visões diferentes. Marx não fazia segredo de sua atitude em relação àqueles que discordavam dele. A crítica, escreveu ele certa vez, 'não é escalpelo, mas uma arma. Seu objetivo é o inimigo, [a quem] não se quer refutar e sim destruir.' O marxismo, portanto, era um dogma disfarçado de ciência." (Ibidem, p. 19).

Os meios de produção capitalistas, aliados à conjuntura socieconômica vigente ao longo da história de espoliação da mão de obra, a questão da "mais-valia" e as dificuldades de sobrevivência tornam muito mais atrativas as ideias socialistas de "luta de classes", porquanto

"a humanidade deve antes de mais nada, comer, beber, ter um abrigo e roupa, antes de perseguir a política, ciência, arte, religião etc.; portanto, a produção dos meios de subsistência materiais imediatos (...) formam o fundamento sobre o qual as instituições estatais, as concepções legais, a arte e, até mesmo, as ideias sobre a religião das pessoas envolvidas se desenvolveram, e à luz do qual devem, por consequência, ser explicadas, ao invés de vice versa, como foi o caso até agora. (Ibidem, p. 20).

As bases do socialismo que desembocam no comunismo, através da revolução, seguem ao fundamento de que "o controle dos meios de produção leva à emergência de 'classes' sociais". De início, não existia a "propriedade privada nesses meios: toda terra era posse comum. Mas, com o tempo, a ordem 'comunal primitiva' foi substituída pela diferenciação de classes quando um grupo conseguiu monopolizar os recursos vitais e usou seu poder econômico para explorar e dominar o resto da população, erigindo instituições políticas e legais que protegiam os interesses de classe. Também empregou a cultura - religião, ética, artes e literatura - com o mesmo fim. Tais mecanismos capacitaram a classe governante para explorar o resto da população." (Ibidem, p. 20-21).

A superação do capitalismo pelo socialismo está em compasso com a "luta de classes" desnudada pela revolução que há de acontecer, pois que inauguraria uma "sociedade sem classes". 

A "mais-valia" ou "valor excedente", corresponde ao que Marx afirma ser embolsado pelo dono dos meios de produção, enquanto que o trabalhador recebe apenas o necessário para a subsistência.

"Na evolução do modo de produção capitalista, tanto a taxa de lucro obtida pelo capitalista quanto os salários do trabalhador se reduzem estavelmente. Isso acontece porque, ao enfrentar uma competição feroz, o capitalista tem de gastar mais capital em equipamento, matéria-prima e outros, e diminuir cada vez mais os salários, que são a fonte de seus lucros. A mão de obra torna-se mais barata e os salários declinam, resultando em uma queda constante do padrão de vida. Ao mesmo tempo, durante as crises que ocorrem periodicamente por causa da produção excessiva, grandes empresas engolem as menores e a riqueza industrial fica cada vez em menos mãos. Desse modo, o capitalista e o trabalhador se veem no mesmo barco, por assim dizer: o primeiro aflito com a crise e expropriação dos mais ricos que ele, o segundo, vítima da 'pauperização' progressiva. Com o tempo, a situação, inexoravelmente, leva à 'revolução'". (Ibidem, p. 21-22).

As ideias socialistas seguem a um ritmo fracassado de coerência posto que a "ditadura do proletariado" inauguraria, posteriormente, uma forma de totalitarismo que ceifou milhões de vidas na Rússia Comunista, a partir da revolução bolchevique de 1917.  Enquanto que o capitalismo continuou como sistema econômico vigente, mesmo com falhas e crises periódicas, contudo o avanço das legislações, o arcabouço jurídico de proteção aos trabalhadores como a CLT, a lei antitruste (contra a cartelização e ou monopólio), mesmo as leis tributárias, impediram que sufragasse o sistema supostamente vitimado pela "pauperização" do trabalhador, o que não acontece de fato. Houve sim uma melhora para boa parte da massa de trabalhadores. Ao contrário do que se pensa, os avanços na área de tecnologia, novos nichos de produção e de comercialização, possibilitaram a manutenção do sistema como ele é. Mesmo eivado de falhas e dificuldades para muitos ainda, mas a vida, lamentavelmente, sempre foi assim

A corrupção que mancha a política de hoje denota que há muito a ser feito para punir os infratores das leis, criminosos do "colarinho branco", mas não coloca em xeque o sistema econômico vigente, o mais coerente com a situação hodierna.

"As falhas na doutrina marxista não teriam tido muita importância se ela tivesse sido estritamente um constructo teórico. Mas, como também foi um programa de ação, quando suas previsões revelaram-se falsas - isso ficou evidente logo após a morte de Marx em 1883 -, primeiro os socialistas e, depois os comunistas, embora alegassem ortodoxia, começaram a revisar a teoria de Marx. Nas democracias ocidentais, essas revisões geralmente abrandaram o zelo revolucionário de Marx e aproximaram o socialismo do liberalismo. O resultado foi a social-democracia. No leste europeu e nos países de Terceiro Mundo, em contraste, as revisões tenderam a aguçar os elementos de violência. O resultado foi o comunismo. O marxismo em sua forma pura, não adulterada, não foi adotado em lugar algum como plataforma política porque vai de encontro à realidade." (Ibidem, p. 25).

Já o socialismo fabiano prega a chegada ao poder não através de uma revolução, mas da conquista gradual do mesmo nas urnas, democraticamente. O fortalecimento da classe proletária desembocaria no comunismo gradativamente, através de um processo político e social pacífico dentro do capitalismo, o socialismo convivendo com o capitalismo e emergindo dele. É o que estão tentando implantar no Brasil.

De toda a sorte o socialismo, fase embrionária ao comunismo, não resta por ser uma boa ideia, mas, antes, uma fantasia.

"O marxismo, fundamento teórico do comunismo, carregava em si as sementes de sua própria destruição, assim como Marx e Engels atribuíram, incorretamente, ao capitalismo. Baseava-se em uma filosofia da história imperfeita, assim como em uma doutrina psicológica nada realista." (Ibidem, p. 126).

A ideia marxista que prega o fim da propriedade privada objetivando alcançar a igualdade é absolutamente falsa, na medida em que "(...) para a igualdade vigorar, seu principal objetivo, é necessário criar um aparelho coercivo que demanda privilégios e, consequentemente, nega a igualdade; (...) fidelidade a uma classe, em todo lugar e em qualquer época, vencem de forma esmagadora, dissolvendo o comunismo em nacionalismo, daí o socialismo se combinar tão facilmente com o 'fascismo'." (Ibidem, p. 131).

Por ocasião de interesses pessoais como nacionais, a igualdade no regime comunista restou fracassada e milhões de vidas inocentes foram ceifadas, um alto preço pago pela incompetência e desmesurada insensatez dos governantes.

"Os custos dos experimentos em utopia foram assombrosos. Acarretaram um grande número de vítimas. Stéphane Courtois, editor de The Black Book of Communism (O Livro Negro do Comunismo), estima o número de vítimas do comunismo entre 85 e 100 milhões, total 50 por cento maior do que as mortes causadas pelas duas guerras mundiais. Várias justificativas foram apresentadas para essas perdas, tais como não se pode fazer omelete sem quebrar ovos. Afora o fato de que seres humanos não são ovos, o problema é que nenhum omelete saiu da matança." (Ibidem, p. 135).

Em sede de conclusão, a acusação de Marx de que o capitalismo "sofria de contradições internas insolúveis, que o condenavam à destruição", não merece crédito haja vista que o mundo já passou por várias crises econômicas ao logo dos séculos e sobreviveu. Contudo, o comunismo "uma pseudociência convertida em pseudo-religião e incorporada ao regime político inflexível" não foi capaz de se manter firme com a força que se esperava. Houve sim um fracasso regado a sangue de pessoas inocentes. A história mostra que reincidir nesse erro, nessa mentira, apodrecida, eivada, chamada comunismo, seria uma grosseira estupidez.  





   


sábado, 17 de outubro de 2015

O País das Humilhações Sociais!

O Brasil é um país em que reina a capacidade da humilhação em detrimento da educação e da capacidade de discernimento do que significa ser superior. Nesse passo, a incorporação de meios irrelevantes como comparações levianas faz com que muitos dos que se julgam acima dos outros tornem-se em pessoas amargas e amarguradas.

Na esteira dos acontecimentos que vivenciamos, não por acaso, os mais de 300 (trezentos) anos de escravidão experimentados pelo nosso país, as desigualdades, pior que isso, a humilhação enfrentada por muitos que são subjugados, por sua condição socioeconômica, pelas classes média e alta (A e B), denotam o quão mesquinho e egoísta é o homem, em sua saga pela insensatez.

A humilhação é a marca da fraqueza. Todo aquele que humilha não é digno do pódio, da boa ou saudável convivência, posto que aquele que assim procede tem maldade, é doente. Está referto de maldições e pensamento rasos. Humilha para se sentir superior, porquanto não o é de fato.

Sabemos que o nosso país segue nesse passo desinteressado com o que é nomeadamente de bom alvitre para a alma. As pessoas passaram a se coisificar demais. Assim, a pobreza e a putrefação do espírito tornam-se evidentes.

Não raro presenciamos situações de injustiças sociais e um tremendo caos, no que deveria ser a ordem vigente. O que age de boa-fé fica a se questionar: 

- este fez uma  coisa errada aos olhos da moral e da ética, por que conseguiu ter sucesso?

A Bíblia ensina que não devemos ter inveja desses que procedem mal, porquanto eles já receberam a sua recompensa. A nossa, não pertence ao plano dos fatos, mas das ideias. Aos que passam humilhações em detrimento de sua condição econômico-social, solidarizo-me com esse "tapa na cara" da nobreza da corte atual de nosso Brasil de desiguais, notadamente as classes mais abastadas (A e B) da configuração hodierna de nossa sociedade (políticos, servidores públicos, etc. Os "amigos do rei"!) 

Aos fracos, o desabafo, "poderosos fracos" pois se debruçam em meio a humilhações decorrentes de situações contigenciais, como a situação financeira para poderem se autoafirmar na esteira do que se acredita como coerente e condizente com a realidade.

Enquanto viverem encastelados em "Torres de Marfim", não poderão enxergar o próximo como gente, mas sim como coisa a ser subjugada e humilhada. 

Um jogo doentio e perverso que apenas evidencia a fraqueza dos poderosos!   

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

D. João VI e a sua importância para o Brasil

Estou a ler um livro muito interessante, 1808 de Laurentino Gomes, editora Planeta, 4° edição, 2007. 

O autor coloca como ponto central a figura de D. João VI, um príncipe regente, feio, supersticioso e obeso que comia franguinhos, nos intervalos entre as refeições e que odiava a sua mulher Carlota Joaquina, também uma mulher tremendamente horrenda e que conspirava contra o seu marido. 

As histórias sobre essas figuras do império e a sua importância na abertura comercial do nosso país denotam que D. João VI, muito mais do que uma pessoa com defeitos e sem caráter, foi responsável por sermos o que somos hoje.

Claramente, a corrupção daquela época se faz notar nos dias de hoje, por isso é importante verificar essas caricaturas de outrora para podermos nos identificar. O "jeitinho brasileiro", descrito por Sérgio Buarque de Holanda, da "sobranceria" do brasileiro, avesso ao trabalho, afeiçoado à "malandragem" e ao engodo. 

Somos nós, temos de ter orgulho de nossa sobranceria e não negá-la, como '"homens cordiais", por ocasião de nos conferir originalidade, mesmo que não nos adequemos aos padrões europeus ou norte-americanos, não queremos ser essas figuras de além-mar.

Temos de ter orgulho não de nosso país, mas de nosso jeito, único e original.

Com justa razão, D. João fugiu de Napoleão em virtude de seu medo, o que lhe conferiu mais tempo de vida e um reinado que modificou o nosso país colônia há pouco mais de 200 anos quando da chegada família real que organizou as administração desse país. Certamente, devemos muito à família real portuguesa que se decidisse enfrentar os franceses, não seríamos o que somos hoje. Talvez, nem Estado Soberano seria o nosso país atualmente.

D. João VI fez muito pelo Brasil. A nossa soberania deve a ele um reconhecimento de destaque, mesmo que se diga que ele era uma pessoa sem asseio e sem caráter, mas uma coisa deve ser lembrada, o nosso país segue culturas multifacetadas, graças a abertura dos portos da época em que a família real veio ao Brasil em 1808.

Caso D. João VI não viesse em fuga de Portugal ao Brasil, sequer teria elevado o nosso país à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, tendo o Rio de Janeiro como a sede oficial da Coroa.

"Nenhum outro período da história brasileira testemunhou mudanças tão profundas, decisivas e aceleradas quanto os treze anos em que a corte portuguesa morou no Rio de Janeiro. Num espaço de apenas uma década e meia, o Brasil deixou de ser uma colônia fechada e atrasada para se tornar um país independente. Por essa razão, o balanço que a maioria dos estudiosos faz de D. João VI tende a ser positivo, apesar de todas as fraquezas pessoais do rei. (...) 'Com ele começou a descolonização efetiva' (...). 'Não só pelo ato de elevar o Brasil a reino, mas também, e sobretudo,por lhe dar desde logo e em breve espaço de tempo as estruturas de uma nação propriamente ditas'".(GOMES, LAURENTINO. 1808:como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 284). 

Nem o comércio, as artes e a cultura seriam o que temos hoje. Graças ao rei D'além Mar podemos dizer que somos um país independente, com poder de influência considerado na América Latina e com uma constituição impressionante e bela, mesmo que se diga que é uma "colcha de retalhos", porém é uma união indissolúvel de estados municípios e distrito federal, com poderes independentes e harmônicos entre si. Fato que sem a vinda de D. João, o Estado-nação Brasil, um país continental, poderia ter sido fatiado em três diversos países.(Ibidem, p. 287).

Nesse sentido, "(...) não se deve subestimar a importância de D. João VI na construção da identidade dos brasileiros de hoje. É preciso levar em conta que, dois séculos atrás, a unidade política e territorial do Brasil era muito frágil." (Ibidem, p. 286).  

A nossa prolixa constituição deveria ser motivo de orgulho, haja vista as conquistas jurídicas desses pouco mais de duzentos anos passados, em que a família real portuguesa esteve em nosso país. Um pontapé sem o qual não haveria falar-se em direitos e, muito menos, em liberdade como a conhecemos.