segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As "janelas light" e as "janelas killer"

Estes termos são produtos da imaginação de Augusto Cury, expostos em seu excelente livro "O Código da Inteligência", Ediouro, 2007.

Andei pensando em como tenho aberto "janelas killer" nas últimas semanas e como devo fazer para que as "janelas light" venham a combater os traumas do passado, representados pelas lembranças ruins da vida e projetados em meu imaginário.

Para quem não conhece, "janela killer" é o mesmo que falar dos traumas, momentos, situações e sensações ruins que temos ou tivemos que são armazenadas em nosso córtex cerebral.

Interessante porque nossa memória é seletiva, porém ela só seleciona coisas ruins que nos marcaram ou marcam. Por quê? Cury afirma que a sociedade está produzindo seres humanos doentes, incapazes de decodificar os códigos da inteligência e do bem viver no âmbito do cenário psicológico, atormentado por nós mesmos que alimentamos essas "janelas de um passado" distante ou não.

Já as "janelas light" seriam uma forma de resgate ao que foi destruído, desgastado, rasgado pela nossa memória. Seria um subterfúgio para eliminar ou minorar os efeitos nefastos produzidos pelas "janelas killer" no cenário de nossa psique.

Acusa-se que o homem possui uma série de barreiras a serem eliminadas, como o medo de se arriscar e de reconhecer os erros, o coitadismo e o conformismo. Nesse sentido, essas ditas barreiras funcionariam como as "janelas killer" da nossa psique, posto que impediriam qualquer progresso da mente no sentido de se libertar dessa ignorância cíclica que acomente o nosso imaginário, tornando-o mais suscetível a doenças e à morte.

Já os códigos da inteligência, tais como o da resiliência, do Eu, como gestor das emoções e do intelecto, da autocrítica, do carisma, do altruísmo, da intuição criativa e do debate de idéias, alimentariam as "janelas light", haja vista que libertariam a mente da prisão em que se encontra o ser humano. Aprisionado em uma jaula onde as emoções e a razão estão em seu desfavor, são os seus maiores desafetos.

Nessa visão multiangular ou da psicologia multifocal, preconizada por esse brilhante autor, podemos perceber que todos os monstros que se nos apresentam no imaginário, não passam de meras alucinações. É necessária uma reflexão psicológica e filosófica profundas para se abstrair essa necessidade de decifrar esses códigos da inteligência, para que o bem viver se manifeste em nossas vidas.

É nosso dever, como parteiros de almas, alimentar uma reflexão filosófica com o escopo de minorar as mazelas de nossa existência que se alojam em nossa consciência, fazendo-a pensar de modo diverso do que se almeja.

Penso que a imagem positivista deva ser o melhor remédio. Sempre pensar positivo, até mesmo em situações adversas, pode salvar várias vidas da miséria psíquica, espiritual e material, como se aduz do livro O Segredo de Rhonda Byrnes. "O que mais pensar e alimentar dentro de você, mais chances tem de ocorrer". Pense no que realmente quer, peça, creia, tenha fé, assim se sucederá, pois o Universo (Deus) nos retorna na mesma frequência em que emitimos nossos pensamentos a Ele. Caso contrário, não passamos de um nada e nossa existência não faz sentido, como se fossemos jogados nela e esquecidos sabe-se lá por quem, como quer Martin Heidegger.

Abraço,

Carlos Ilha

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Belo Texto sobre a Diferença de Classes Sociais

O texto abaixo foi extraído da última prova do MPU realizada em setembro. Achei interessante e gostei do modo como ela escreve. Leiam ok? Vai valer a pena!

"As diferenças de classes vão ser estabelecidas em dois níveis polares: classe privilegiada e classe não privilegiada. Nessa dicotomia, um leitor crítico vai perceber que se trata de um corte epistemológico, na medida em que fica óbvio que classificar por extremos não reflete a complexidade de classes da sociedade brasileira, apesar de indicar os picos. Em cada um dos polos, outras diferenças se fazem presentes, mas preferimos alçar a dicotomia maior que tanto habita o mundo das estatísticas quanto, e principalmente, o mundo do imaginário social. Estudos a respeito de riqueza e pobreza ora dão quitação a classes pela forma quantitativa da ordem do ganho econômico, ora pelo grau de consumo na sociedade capitalista, ora pela forma de apresentação em vestuário, ora pela violência de quem não tem mais nada a perder e assim por diante. O imaginário, em sua organização dinâmica e com sua capacidade de produzir imagens simbólicas e estereótipos, maneja representações que possibilitam pôr ordem no caos. O imaginário, acionado pela imaginação individual, é pluriespacial e, na interação social, constrói a memória, a história museológica. Mesmo que possamos pensar que estereótipos são resultado de matrizes, a cultura é dinâmica, porquanto símbolos e estereótipos são olhados e ressignificados em determinado instante social". (Fonte: Dina Maria Martins Ferreira. Não pense, veja. São Paulo: Fapesp&Annablume, p. 62 (com adaptações)