quarta-feira, 29 de março de 2017

A Vida Como um Longo e Pesado Processo, mas Não!

Estou a ler interessante livro de Franz Kafka, O Processo, livro de bolso da editora Saraiva (KAFKA, Franz. O Processo. Prefácio e Tradução de Torrieri Guimarães - [Ed. especial]. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, p. 320).

Trata-se de interessante drama psicológico vivido por K., Josef K., um procurador de um banco que se vê surpreendido, enrascado em uma trama acerca de um "processo" que sequer conhece o teor da acusação e tampouco este processo segue aos cursos da justiça normal.

Parece-me que tal processo segue o mesmo rito da vida que alimenta o drama do medo, da insegurança, da liquidez. Tal processo está em compasso com as surpresas que nos acometem, quando menos estamos preparados.

Então, K. em seus pensamentos deseja a cada capítulo do livro saber do que é acusado, posto que se crime algum havia ele de ter cometido, qual seria a razão do inquérito? 

Nesse passo, envolve-se com pessoas ligadas ao "processo" ao qual deve passar se quiser que sua vida tome rumos diversos, contudo ele apenas queria ser aquele funcionário exemplar de um banco em que em breve seria promovido, mas não!

Nesse sentido, os juízes do seu processo são a sociedade que o observa e a sua própria consciência. Uma expiação que não tem fim!

A ansiedade para chegar ao termo do processo é tanta que K. bem que poderia ter um colapso nervoso, mas diante de tais "acusações" que ele sequer conhece o teor, posto que absolutamente secreto é o tal juízo a que é submetido, consegue ainda o nosso herói se envolver com três mulheres diferentes, a camareira, a secretária e a enfermeira. Será tal processo tão longo e entediante?

Creio que o peso da vida pode ser estimulante a desenvolver novas aventuras. Um ponto de reflexão ao medo que pode fornecer um caminho de fuga para a tensão e o sofrimento psicológico ao qual K. permanece atado e ao qual muitos ainda nem entenderam do que se trata também, acerca de suas próprias existências.